E a água levou o frágil castelo de areia.
Das coisas que gosto de fazer na praia, além de nadar – óbvio – mexer com areia é algo sempre frequente, seja para escrever com algum graveto, seja para formar algo. Assim, lembrei-me do castelo de areia como uma representação da nossa identidade e da ilusão que podemos ter se não conhecemos de verdade nossas fraquezas e potenciais.
É evidente que falo de se conhecer, de amadurecer, ser mais forte em todos os sentidos. E o que falarei não anula o que acredito.
Tenho apresentado nesses últimos tempos a vulnerabilidade. Defino esta palavra: abraçar incertezas, riscos e exposição emocional, ponto.
A partir disso, quero comentar como podemos cair em algumas mitos em relação a este conceito:
1º Ato: Admitir a própria vulnerabilidade é fraqueza.
Abordo aqui a experiência de admirarmos que consegue se expressar bem, ser autêntico, etc. Enquanto que nós, passando a vida inteira correndo e nos protegermos de sermos vistos, marcarmos – até mesmo um sutil presença – ficamos mais especialistas em nos marcararmos, ou vestirmos uma “carapuça” (armadura).
O resultado é o se fechar ainda mais pelo medo da julgamento e da crítica. Isso não tem um peso formidável.
Na verdade, já falei antes, que é corajoso aquele que assume a sua vulnerabilidade e faz algo na perspectiva de um bom futuro, e não quem nega ela.
Vulnerabilidades, poderia dizer. Há inúmeras. E as situações são das mais íntimas, até as mais públicas possíveis. Mais uma vez. A coragem está ligada a um certa habituação frente aos medos/e ansiedades.
Admitindo a vulnerabilidade, poderíamos perceber um certo encontro do desconforto com a esperança. É se ver ansioso por não querer evitar mais algo desconfortável, é ser quem se é, é perder o controle (quando se tinha um script “infalível” da vida, é experimentar notória liberdade… digo de um processo lento e necessário, está bem?
Quando alguém se demonstra assim, é algo que nos comove. Mas quanto a nós. E quando é a nossa vez? A verdade é que nós não somos ordenados plenamente, perfeitos, e previsíveis. É sobre ousar aparecer e deixar ser visto.
2º Ato: Vulnerabilidade é para alguns.
“Para morrer, basta estar vivo”, alguém já disse. Mas a vida também recomeça todos os dias.
A incerteza está presente na vida de todos, e isto é uma verdade, independentemente da forma como ela se expressa.
A frieza de não aceitar a vulnerabilidade é algo que impede conexões humanas. E isto nos afasta de uma autenticidade necessária. Não estou aqui falando da liberação das paixões, instintos humanos, vícios etc, sem a moderação da inteligência e da vontade. Estou falando sobre o apriosionamente em crenças e julgamentos internos/externos paralisantes. Isso sim seria a privação de liberdade.
Termino minha colocação com algumas perguntas:
1- O que eu faço quando me sinto emocionalmente exposto?
2- Como me comporto quando me sinto muito desconfortável e inseguro?
3- Estou disposto a correr riscos emocionais?
Eu estou fazendo o meu processo. Ouse fazer o seu também.
Continua em breve.
Por hoje isso é tudo.
Artigos como esse sempre, e primeiro, em seu e-mail, clique no botão abaixo.






