Derrubando falsas verdades sobre si mesmo – Parte 2

Continuo neste texto falando sobre os mitos da vulnerabilidade. Sua definição deve nos acompanhar sempre: abraçar incertezas, riscos e exposição emocional.

 

3º Ato: Preciso expôr sempre a minha vida toda.

Será mesmo? Se as redes e mídias sociais possibilitaram uma visibilidade, possibilitaram também este questionamento. Nem todos que dizem algo, o dizem bem, ou o que se mostra, nem sempre se mostra com valor.

Baseio-me em Brown que nos afirma ser a vulnerabilidade baseada na reciprocidade e que se requer confiança e limites. Pois bem.

Na verdade, podemos sim oferecer algo de bom a desconhecidos (veja este conteúdo que produzo – alcança tanta gente que às vezes desconheço). Mas quando há muita intimidade em jogo, a história é outra, e o pudor é necessário.

Posso compartilhar quem eu sou, não sou somente um psicólogo, por exemplo, tenho família, hobbies, sonhos, projetos, medos, etc. Mas dou a conhecer-me ainda mais àqueles e àquelas as quais percebo certo limite, com pessoas que podem querer fazer parte de minha história.

E falando nisso, a confiança é vista como algo de lenta construção, como diz nossa autora referenciada, “um pote de bolinhas de gude”. Imagine encher um pote assim? Pois é, leva tempo. Aqui já abordamos um assunto mais pessoal. Mas percebemos que, à medida que a convivência acontece, através de pequeninas realidades, “cada bolinha” pode – e deve – ser depositada no pote. Geralmente, podemos crescer em confiança quando vamos constantemente ao encontro das necessidades do outro e nos interessamos pela sua vida.

Veja, confiança e e exposição, é falarmos de vulnerabilidade. Não de forma repentina, mas como construção. Seja em dar, seja em receber/merecer.

 

4º Ato: Sozinho dou conta.

Aposto que tu podes construir tudo, plantar, colher, fazer e acontecer em mil e uma realidades, certo?! Ok. Sigamos.

Lembremos a premissa da vida em sociedade. Há uma lei natural nisso, de considerável dependência. Na verdade, precisamos de apoio, mesmo que tenhamos autonomia e independência para fazer muitas coisas.

Posso ter aprendido a ajudar, mas posso também resistir em ser ajudado. Seja por tendência de um temperamento, seja por traumas, etc. É fato que aprender a receber, influencia na forma como damos aos outros, como ajudamos. Isso passa por um certo julgamento, ser desagradável ou agradável, etc. Parece que sabe ser ajudado, quem sabe ajudar. Talvez exista uma relação muito forte. Apoio o discurso de Brown. É um desafio isso tudo!

Quantas pessoas resistem em pedir ajuda profissional. Já atendi algumas destas. É complicado, mais uma vez, aceitar esta vulnerabilidade. Parece que estamos nos desfazendo por pedir ajuda.

A transformação esperada passa por reconhecer estes 4 mitos, os 4 atos que apresentei. Espero que a reflexão tenha te alcançado e renda frutos em sua vida.

Por hoje isso é tudo.

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