Sobre o escutar e o falar

Alguém já disse que temos duas orelhas para escutar mais do que falar.

 

Das habilidades humanas, o falar é uma daquelas que você aprende por imitação. Imitação esta que acontece pelo fato de você ouvir e tentar reproduzir, e repetir…repetir…repetir.

Deparo-me constantemente com pessoas que precisam ser ouvidas, uma vez que o meu trabalho – meu dever de estado – assim o exige. Assim busco acolher a quem me busca, dar tempo e atenção. As pessoas sofrem, e também sofrem por não terem quem partilhar a sua vida. Mas a quem recorreríamos para partilhar nossa intimidade, sem ter excessiva vergonha, sem julgamentos, mas sim com aceitação e respeito?

Ao considerar isto me lembro da época de faculdade, quando uma professora pediu para uma estudante passear pelo campus e observar os diálogos das pessoas. O relato da professora foi que as pessoas tinham como que monólogos compartilhados. Isso mesmo! As pessoas falavam e falavam, e não escutam nada! Ou seja, o outro bastava para me ouvir e nada mais. Foi uma interessante partilha. Continuo com a reflexão.

É certo que não devemos expôr a nossa vida e desabafos para qualquer um. Se assim acontece, seríamos como “holofotes” nas vidas dos outros, iluminando excessivamente os seus olhos, uma vez que pecaríamos pelo excesso, a nos dirigirmos a quem ainda não tem o direito – e até mesmo suficiente vínculo – para estar conosco e nos acolher.

É evidente que, além dos profissionais, há pessoas cujo dom de escutar ainda é manifesto, e é posto em serviço para os que estão a sua volta. Por isso, a quem tem o direito – e vínculo conosco – estes podem nos ajudar. E aquela luz forte se torna amena e encontra limites, segurança, empatia e amor. O falante encontra alívio, o ouvinte presta um serviço de amor.

Não poderia terminar esta reflexão, se não falasse da importância de ouvir os que estão mais próximos de nós. São eles que convivem conosco, nos suportam, nos conhecem, sabem de nossos defeitos… de nossa história. E por que não experimentar também ter uma boa conversa com quem também pode nos ouvir com maturidade? Afinal, pessoas assim fazem uma tremanda diferença.

 

Por hoje, sem mais delongas, é isso tudo.

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