Superando o que impediria uma reta – e elevada – compreensão.
Seguimos nosso itinerário de textos ao lado de um novo autor: o padre Francisco Faus, em seu livro Tornar a vida amável. Este será apenas o primeiro texto a respeito. Afinal quem quer não ter uma vida mais amável? Como eu digo: para amar e servir quem está a sua volta?
Cada vez que escrevo sinto-me na obrigação de rever a minha vida e corrigir alguns pontos. Para mim e para ti, isto tudo é gradual, e pacientemente vamos nos esforçando e nos transformando. Para ilustrar isso, lembro de um podcast que ouvi, o Tertúlia, que falava sobre Hábitos saudáveis e espiritualidade (você pode acessar aqui). Um dos presentes dizia sobre a comparação de cada sessão de psicoterapia parecia haver uma ínfima ou insignificante mudança. Mas se compararmos o começo do processo com o seu fim, veremos que o processo teve sim uma evolução mais do que considerável. Assim continuemos.
Podemos ver as coisas sob duas óticas, ao menos, possíveis. Uma seria olhar o problema, e se deter nele como se nada mais existisse e nada fosse possível fazer. Assim poderíamos cair na murmuração, no desespero, na ansiedade, no medo etc. Outra forma seria olhar para uma solução, para o fato de ser possível fazer alguma. Assim cresceria em nós a esperança, a coragem, a paciência. Enfim… as virtudes se manifestam, pois tem as suas oportunidades para se exercitar. Prefiro focar neste segundo ponto.
Faus nos lembra assim a famosa frase que nos remete a são Francisco de Assis: “compreender que ser compreendido”. Assim nos colocamos em atitude, em uma perspectiva positiva e ativa. Nada mais desafiador, não?!
Um dos possíveis obstáculos para compreender – e compreender bem – é que nosso olhar já é “viciado” pelos nos próprios defeitos. Nossa lente já é embaçada e/ou distorcida. Logo, a imagem do outro não corresponderá a uma objetividade e em sua verdade.
A princípio, como disse que nosso olhar já estaria tão limitado para extrair o bem de algo ou alguém, não entenderíamos ou sequer pensaríamos na intencionalidade, na intenção, que uma pessoa teve ou tem, ou naquilo que fez e – se reconhecendo infeliz – volta atrás.
Sob uma ótica dos vícios capitais, teríamos dois agentes proeminentes: o orgulho e a inveja. Ambos atuariam como que protagonistas “ocultos”, mas que teriam considerável força nesse itinerário contrário a obra de misericórdia de suportar as fraquezas alheias. Um daria o tom de julgamento, crítica fria e desprezo, outro se inundaria de tristeza pelo bem e superioridade do outro. Combinados são uma terrível potência.
Por isso que, uma vez conhecendo o que impediria uma reta – e elevada – compreensão, entendemos que é preciso “descobrir, reconhecer e agradecer as qualidade boas” daqueles com quem convivemos. Não é que desprezamos os erros e/ou falhas, mas procuramos ser justos, como que “calçando os sapatos dos outros”.
Outra coisa seria entender:
1- Por que as vejo assim?
2- Não acontecerá que eu tenha os mesmos defeitos?
Com estas perguntas já conseguiremos refletir e fazer algumas coisas diferentes. Isso sim é um desafio imenso. Mas creio ser mais do que gratificante.
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