A caridade tudo perdoa

O amor humano, na verdade, é frágil, mas pode ser aperfeiçoado, “consertado”, se preciso for inúmeras vezes.

 

Certamente você já teve uma experiência com o perdão, seja de dar, seja de receber. Ou se não experienciou, certamente já ouviu ou viu alguma pessoa passando por isso (pelo menos).

Lembro-me de ter ouvido do pe. Léo, em outras palavras, que amar é equivalente a perdoar. E este sábio homem acrescentou que, quem mais teria um potencial – por assim dizer – para te machucar são aqueles que mais perto vivem de você. Assim começo nossa reflexão.

Não é que as pessoas vivam para nos ferir a todo o tempo. Pensar assim seria um absurdo! Ao mesmo tempo que aquele trecho da canção, que recentemente ouvi – também pode ser verdadeiro:

“Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar.

Será mesmo que as pessoas não saberiam amar? Haveria, a partir desta pergunta, talvez uma vida para responder, não acha?

O fato é que dentro do amor está contido o perdão, está contida a misericórdia, que excede toda a justiça, toda lei de Talião (“Olho por olhodente por dente“). Não é que a justiça não deve ser feita. Na verdade – um pleonasmo – é justo que a justiça seja feita. Mas uma cidade, uma sociedade, uma família, uma alma, pode ser muito mais elevada se a caridade estiver bem assentada e superar a justiça. Parando para pensar: será que até mesmo haveria uma justiça dentro da caridade? Isso seria assunto para outro texto. Não quero ser exaustivo.

Com isso entendido, podemos mergulhar mais no entendimento sobre a misericórdia e o perdão. Lembre-se sempre do propósito o qual orienta meu trabalho: ajudar as pessoas a amar e servirem a quem está a sua volta. “Só isso” muda o mundo.

Acredito que a misericórdia é uma sublime demonstração de verdadeiro amor, mesmo quando há uma ofensa (seja de qualquer dimensão), que é desinteressada, que olha com esperança, e que é uma presença divina entre os homens. Se você é cristão, entende o que falo, o dom da misericórdia já nos foi dado concretamente na cruz por Cristo. A nós cabe imitá-Lo.

Aqui entra o desafio! Pedir perdão pode ser humilhante, mas ser perdoado – depois de ter ofendido – é muito gratificante. Nossa alma se alivia e o amor está no ar. Mas, e dar o perdão? Seria mais exigente? Uma vez que nos ofenderam, ser “contrariado” me levaria a uma ira, e uma “injusta” justiça, de proporcionar ao outro uma “paga” em um baixíssimo nível, ao qual apenas tornaria pior as coisas.

Este texto é uma reflexão e convite sobre o perdão, não uma imposição. Mas conhecer a sua beleza, nos levará a meditar e tornar a nossa vida mais elevada.

Perante o desafio proposto, poderíamos pensar com Faus, é um dificuldade tremenda o perdoar. Nada mais verdadeiro! Alguns poderiam argumentar: “eu não consigo esquecer”. Ainda bem, a sua memória está em dia e terá muita serventia ainda. Será que haveria mérito se a nossa memória se desfizesse perante as ofensas?

Então, como disse, a misericórida se manifesta no perdão. A misericórdia é dom de Deus, mas principalmente um ato humano voluntário. Frente o qual, há dificuldades superáveis. Expliquemos melhor.

1º: O vai e vem dos sentimentos ou emoções. É muito certo dizer que dentre nossas potências, a que menos temos controle (antes de uma autoeducação efetiva), são os sentimentos que se “rebelam” e causam um desordem interna. Então, “sentir” que se perdoa, não é o indicativo mais real e decisivo para este empreendimento. Aqui o “ser contrariado” pela ofensa, deveria dar vez ao “se contrariar a si mesmo” para se decidir. Uma vez que o perdão é um ato da vontade, que se pode fazer sem entusiasmo ou grande motivação de momentos.

2º: Compaixão versus desprezo. Ranço, distância, frieza pela pessoa que ofendeu, falsa “dó” que não leva ao verdadeiro amor. A compaixão beira a empatia. Como costumo dizer: pessoas feridas, ferem. Ter este entendimento, não “revogaria” uma culpa, ou justificaria em um tom permissivo, mas abriria o nosso peito ao acolhimento, à bondade, que é criativa em sua natureza, e que assim busca a restauração do amor.

3º: Aquele que te perdoou te convida sempre a perdoar. Para o cristão, perdoar está em sua essência, por assim dizer, e assim tem o entendimento que isso lhe faz parte do amadurecimento espiritual. Um Amor que constrange já passou em seu caminho.

4ª: Com dor, mas querendo o bem do outro. Um nível mais sublime, radical. Querer o bem do outro, mediante uma oração, mediante o não deixar que a mágoa habite no coração. É como alguém já disse: afogar o mal com a abundância de bem.

 

Esta é a nossa reflexão de hoje.

O amor, maduro, não acontece se não colocarmos o perdão no caminho. O amor humano, na verdade, é frágil, mas pode ser aperfeiçoado, “consertado”, se preciso for inúmeras vezes. Assim como o músculo cresce, quando se quebra as suas fibras… o mesmo aconteceria com um coração, que se dilata com dores, quando o amor se torna exigente. É quando se rema em demasia, e se tem a melhor vista da vida, o que os pequenos amores, pela vertigem do medo, da vulnerabilidade, pelas faltas de virtudes, não chegam, pela sua fraqueza e inconstância. Enfim… não poderia falar de um amor maduro, de pessoas maduras sem isso.

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1 Comentário

  • […] humana o amor. E quando não conseguimos amar, sofremos algo como que uma doença. Tratei antes (aqui) do perdão que faz o “conserto” do amor, e assim o mesmo se aperfeiçoa. O mesmo posso afirmar […]

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