A confusão de quereres

Este texto de hoje versa sobre a confusão que pode existir em nossas cabeças acerca do que verdadeiramente pensamos e queremos e do que os outros podem infundir em nós. Acompanhe.

Atendia uma paciente recentemente. A mesma comentou que tinha dificuldades em trilhar o seu próprio caminho. Fazendo uma breve análise deste caso poderíamos pensar na própria insegurança e um medo que paralisa, da parte dos pais aquela famosa síndrome do ninho vazio, que – lucidamente ou não – , com conhecimento de causa ou não, infunde em seu filho pensamentos e quereres.

O fato é: como a pessoa intepreta os fatos tem grande relevância e isto é decisivo. Isso nos remete ao princípio do estóico Epiteto, e que fundamenta, não completamente, a Terapia Cognitivo Comportamental.

Refletimos a partir de então o que seria da própria pessoa e o que seria dos pais, neste caso. Mas também podemos pensar em outras pessoas, pelas quais podemos confundir nossos quereres.

Lembro-me de quando estava na faculdade e tive a disciplina de Orientação Profissional. Uma das abordagens apresentadas mencionava o ponto da influência imensa dos pais nas decisões profissionais. Por extrapolação rememoro esta questão. Espero que você esteja entendendo.

Outro ponto que pode jogar luz à nossa questão, antes mesmo de tentar resolvê-la, é sobre a consciência, principalmente se é aberta, frouxa, ou se fundamenta em uma moral cristã, católica… sólida, por assim dizer. Podemos pensar na consciência que conduz o ordenar e o julgar das coisas, o que se assemelha à sabedoria, em sentido lato. Então, a consciência pode ser laxa ou frouxa, escrupulosa, ou ainda sadia.

A consciência laxa ou frouxa se configuraria por nada ou muito pouco ser errado ou pecado, a partir dos critérios bom e mau, certo e erradocomo se dissesse “não tem nada haver… é só isso, etc”. A consciência escrupulosa poderia pensar em tudo – ou quase tudo – sobre a vertente mais rígida do “devo evitar, pode ser pecado…é ruim, é sujo, é feio… etc”, quando não necessariamente o é. A sadia, por assim dizer, examina tudo e fica com o que é bom, chama o bem de bem, o mal de mal, e assim por diante. O que influencia no pensar, sentir e agir.

Então, seja por desconhecer uma consciência sadia, a ser buscada sempre, ou seja por medo, a confusão dos quereres pode acontecer conosco. Há, assim, a necessidade de se discernir um real bem que lhe faz sentido, e seja um norte sólido em sua vida, bem como discernir o que é da vontade do outro (e pode ser aproveitado ou não), com aquilo que é próprio. E é neste último ponto se deve ousar prudentemente.

 

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