Na verdade, aquele dá tem a alegria de ter algo a oferecer, e mesmo que pouco, a intenção pode conter uma tamanha generosidade, um tamanho coração.
Por isso que podemos pensar: há uma grandeza de alma, uma magnanimidade, na generosidade. É quando o amor encontra a sua aplicabilidade devida, e lhe confere uma autenticidade selada, a qual não caberia a ninguém pensar o contrário disso.
A generosidade tem a característica de mostrar às pessoas que o orgulho (ou o egocentrismo) pode ter seu fim. Uma vez que poderíamos entender como abrir mão dos nossos interesses, e até mesmo sacrificá-los, em vista de um bem ou de nobres interesses dos outros.
Você pode estar pensando: “então, vou mais perder do que ganhar?”. Será mesmo? Minha posição já ficou clara quando escrevi acima.
A verdade é que no “mundo das virtudes”, ou no “mundo do amadurecimento”, há duas coisas: a teoria e a prática. Aqui acabo não focando tanto no que você pode fazer, embora dê sugestões aqui e ali. O fato é que falar de virtudes e enobrecê-las é apenas o primeiro passo. Desta forma, é preciso viver aquilo que se fala. Olha a minha responsabilidade! É preciso subir no patamar de praticar as virtudes, principalmente a generosidade. Que é tão exigente!
Já tratei em meu canal sobre o tema do orgulho (você pode conferir aqui), que é precisamente o ingrediente nocivo, podre. É quando o que reina nos corações é o egoísmo e a autossuficiência.
Para remediar isso, a doação generosa precisa ter a sua vez e sua constância. Lembra-se de quando eu falei de afogar o mal com a abundância de bem? Isso tem muito haver com uma nova vida, madura e virtuosa, verdadeiramente falando.
Então, para isso não espere “grandes ocasiões” para dar a vida, seja em gestos e palavras. Essas ocasiões pode nem chegar, inclusive. Com a soma de pequenas ações e atos, você se prepara e se fortalece para vener a mesquinhez, a preguiça, o calculismo. Uma vez que quem ama não sabe calcular, uma sábia senhorita já disse.
Na esfera prática, Faus nos conduz a refletirmos em três pontos ou perguntas, que também são os inimigos da generosidade:
1- Por que “eu”? Diferentemente de alguém que diz após a morte de um ente querido: “por que ele?”, ou após uma perda: “por que logo comigo?”. A luta interior estaria em aproveitar o pequeno tempo que se tem, o pequeno salário, o pequeno alimento, sem nada partilhar, mas tudo para si. Claro, que convém a uma família ter o necessário, em todos os sentidos. Mas algo já aconteceu de semelhante na obra O Senhor dos aneis. Aquele anel, o “precioso”, um apego… faz sentido? Espero que sim. Uma pergunta alternativa para derrotar o egoísmo, ou afogá-lo seria: Por que não eu? Por que não fazemos nós a diferença em casa, num ambiente qualquer, num serviço… por que não conseguimos nós fazermos a diferença até mesmo quando a situação nem é tão grande assim? Imagine nas grandes? E mesmo que você seja generoso, uma voz poderia lhe dizer: “por que isso tudo? É muita coisa. Para com isso. Você não tem reconhecimento”. É aqui que o jogo precisa virar. Essa voz tem um caráter de autossabotagem e pôr em prática as suas sugestões impedirá um sincero e franco crescimento.
2- Por que “isso”? O “isso” se traduz como o que se tem e que se poderia, talvez, dar um destino qualquer, mais ou menos nobre, mais ou menos útil, mais ou menos necessário. Tal como àquela senhora viúva e suas moedas. A primeira caiu no cofre, a segunda ainda lhe restou e a sua decisão não foi hesitante, mas sim decisiva. O “isso” é esta segunda moeda, que representa também aquela “garantia” do sucesso, que muitos de nós precisamos ter. Podemos entender a partir seguintes pontos:
Pensamentos. As nossas ações começam – ou deveriam começar – aqui. Se pensa, se executa. Só pensar não resolve. É preciso pensar no outro, em como agradar, no que fazer de diferente, rezar um pouco mais, etc.
Palavras. Dar prosa aos incovenientes. Agradecer, pedir “por favor”, dizer “com licença”, se interessar, elogiar.
Atos. Pequenos, grandes em casa, na rua, no trabalho. Desde facilitar a vida do outro, até resolver problemas.
Omissões. Desde a pontualidade em algo para iniciar ou terminar, até poder fazer algo, ter o tempo e capacidade e, mesmo assim, ser negligente.
3- Para que tanto? O calcular que eu falava antes, e que se renova. Penso que seja um “cansaço” de tanto dar. Seja para com Deus, seja para com as pessoas, o amor oblativo, a oferta de algo, é demonstração de verdadeiro amor. O que não se faz sem entrega e renúncia.
A generosidade se faz de fé, é expressão de amor e as maravilhas que se experimentam são pouco saboreadas, pois parecem raras. Seja em pessoas que se entregam por inteiras a Deus, sejam em famílias numerosas.
Concluo dizendo: tudo isso é um esforço necessário e que tem os seus frutos.
Por hoje isso é tudo.
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