A bendita da rotina… Se por um lado nos ajuda a prever e nos organizarmos para as nossas ocupações, por outro, se for levada de forma muito rígida, nos engessa, trava e principalmente, nos enferruja.
Se no esporte não estamos “em forma”, basta um treino, um tempo necessário para o exercício e as coisas tendem a melhorar em sua performance. Veja as olímpiadas, os atletas fazem coisas incríveis com os seus corpos. Vão de fato até o limite, e os superam muitas vezes.
Mas, e o “estar em forma” no amor, em nosso coração? Uma vez que fomos feito para amar, se isso não acontece algo não está certo.
O perigo do “sempre a mesma coisa”, do tédio, do desgaste dos dias, dos interesses e sonhos. Infelizmente, tudo isso pode perder sua empolgação, seu entusiasmo. O cume disso tudo parece ser insuportável.
Mas de que repetição de hábitos “tediosos” estamos falando? E os casais, velhinhos, que na “sua monotonia dos dias” ainda têm brilho em seus olhos? Qual seria o segredo para perceberem-se necessitados um do outro e terem desenvolvido um ternura em na velhice?
Na verdade, o hábito, repetido algumas vezes, pode gerar saúde, virtudes, coisas realmente muito boas. O que de fato não evitamos. Mas o problema seria o coração, os nossos sentimentos, o excesso de pensar muito em si; em hábitos pessoais egoístas, que cegam para a novidade das coisas mínimas. Isso é uma inércia que precisa ser evitada.
Então, o amor precisa se renovar. (Prometo falar sobre as As 5 linguagens do amor algum dia, ou por vídeos ou por aqui mesmo.)
Desta forma, a renovação das coisas, ou até mesmo a perseverança nas coisas, grandes ou pequenas, precisa ser refletida, e não ser no modo automático porque “se precisa fazer”.
Faus nos aponta como conseguir:
1- Ideal de vida que valha a pena lutar e sofrer.
Um ideal é algo que nos supera, mas não nos faz cair no desespero de nunca alcançá-lo, mas sim de ser um combustível para o que se faz. O contrário disso, é mediocriadade, a pequenez de alma (pusilanimidade).
Viver segundo o ideal é alimentar-se diariamente da esperança. É ter perseverança e acreditar no que se pode sim fazer. É tentar mil vezes até que as coisas deem certo. É nutrida assim a chama da alegria, que não é como “fogo de palha”, mas sincera e constante.
2- Ter uma motivação consistente.
Para o cristão esta motivação se “confunde” com o seu ideal: sua vocação. Deus dá a cada uma tarefa única, específica, insubstituível, intransferível, etc… A partir da vocação, há uma missão. Nada longe disso.
Logo, cumprir esta tarefa é certeza da realização humana, que no caso é muito específica. Uma vez que há muitas pessoas no mundo, e elas são totalmente diferentes. Esta vocação no convida a crescer no amor a Deus e ao nosso próximo.
Então, olhando desta forma, vendo a vida como uma missão a realizar, não seria conveniente perder as oportunidades de renovar a cada dia – o desejo ser melhor, de servir melhor, de chegar à excelência no que se faz, ser mais virtuoso…
Sob esta ótica, as coisas podem ser renovadas em uma perspectiva protagonista e generosa. As coisas podem sim ser iluminadas por Deus e assim percebermos
“O dom de iluminar o trivial com resplendores eternos” (Knox).
Outra frase:
“Nos detalhes monótonos de cada dia, tens que descobrir o segredo – para tantos escondido – da grandeza e da novidade: o Amor” (São Josemaria Escrivá).
Ou ainda:
“[…] a vocação cristã consiste em transformar em poesia heroica a prosa de cada dia” (idem).
Te convido a uma prática.
A noite: refleta no que foi feito de forma automática, sem pensar, “apenas de corpo presente”, e no que, porventura, se fez de “diferente” e de bom;
De manhã: se proponha a pensar no que pode fazer de novo, não no sentido de repetir, mas “de novo”, uma novidade, ou surpresa, seja para oferecer a Deus, seja para fazer e dar a outro.
Certamente, este exercício nos ajudará, você e eu, a ir mudando aos poucos de forma duradoura.
Até breve.
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