Preparar para reagir em 1, 2, 3 … e sobre o processo de alta

Nesse processo que venho relatando a vocês do tratamento pela Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), já abordamos os componentes cognitivos e comportamentais. Resta-nos falar um pouco sobre os componentes fisiológicos e também sobre as possíveis recaídas.

O componente fisiológico tem muito a ver com a forma como nosso corpo reage. São os sintomas que são resultado da forma como lidar com os perigos identificados, ora reais, ora inexistentes, que advém dos pensamentos sempre vigilantes. Aqui temos uma estreita relação da tensão mental e corporal.

Uma das técnicas que também podem ser usadas – dentre aquelas que eu já mencionei – é a Imaginação positiva. Que parte do seguinte pressuposto: se imagens catastróficas proporcionam alterações fisiológicas de tensão para os eventos ameaçadores, então, imagens mentais de cunho positivo podem promover o relaxamento e tranquilidade. Claro, isso tudo dentro de um ambiente apropriado, e como sempre digo com o treinamento da técnica.

Relaxamento muscular progressivo, envolvendo todo o corpo, trabalhando muito bem a respiração. Você pode fazer uma inspiração profunda por um tempo breve, e procurar expirar no dobro do tempo. Por exemplo: se você inspirou em 4 segundos, procure soltar – devagar – em 8 segundos. Faça algumas vezes. Isso com certeza ajuda muito. Servirá como um calmante natural, e com o tempo, cada vez mais eficaz.

Por fim, mas não menos importante, um processo terapêutico não é algo para sempre. Como disse no começo da série, a TCC almeja que o paciente seja o seu próprio terapeuta algum dia. Explico melhor.

Lá pelas tantas, em 6 meses, em 1 ano, ou até mais tempo, o terapeuta pode ver que o paciente está em um quadro de estabilidade considerável. É hora de falar sobre possíveis (nem por isso desejadas) recaídas. Talvez seja o melhor momento para ver o que o paciente de fato absorveu e como de fato cresceu.

Pode ser oportuno retomar com o(a) paciente cada técnica aprendida, não somente na teoria, mas também na prática. Isso é estimulado para que faça nos momentos necessários. Além disso, pode ser oportuno elaborar uma lista específica para situações de risco, a fim de que saiba reconhecer quando alguns sintomas podem voltar.

Munido do arsenal das técnicas, convém sempre lembrar que pensamentos e preocupações sempre teremos. Faz parte da vida. Assim como momentos eventuais, isolados, os quais não podem ser confundidos como uma recaída. Saber administrar isso é algo que é uma tendência de alguém que já fez o seu processo.

Independente do que aconteça, o psicoterapeuta fica à disposição.

 

Até breve.

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