Já escrevi uma vez sobre a cultura da escassez, mas acredito que deveria retomar este tão necessário assunto. Como já mencionei nos textos anteriores, estou me amparando na autora Brené Brown, e também acrescentando minhas considerações.
Imagine a cena: todos estão em uma praça pública e todos conseguem ter voz e aparecer pelo menos alguns segundos, até serem “encobertos” por outros que falam mais alto ou são mais interessantes. Este é o tema que pretendo abordar.
Acredito que a visibilidade afetou as pessoas. Seja aquelas que se exibem, seja aquelas que assistem as que se exibem. E nem exponho – detalhadamente – o mérito de se expôr devida ou indevidamente. Isso já seria outro assunto. Mas recordo que deste quadro surge alguns desafios.
Será que quem se expõe tem aproveitado bem o seu tempo com algo de útil e que ofereça valor real? Ou será que a gritante necessidade de admiração e falta de empatia sufocou a pessoa e a tornou a “popular”? Ressalto com aspas, um forma pejorativa, pois acredito que devemos valorizar quem produz conteúdos e tem um valor de mudar a sociedade.
O mesmo poderia valer para que assiste. Mas ainda enfatizo: possibilidade de voz foi dada e agora parece que muitas pessoas cairam na esteira da humilhação de ser alguém comum. Logo, para inverter isso minha vida deve “parecer” sempre incrível. Assim, o ordinário cai em desuso e desprezo. Este ordinário, cujo labor constante forja o caráter – e que valorizo – é tido como sem sentido.
Por um lado, há uma “necessária” “necessidade” (sim, o faço intencionalmente) de uma ideia de grandeza e admiração que são como um consolação contemporânea para um dor fabricada de sermos comuns e inadequados. Por outro lado, temos as ruínas da cultura da escassez. Trata-se do “Nunca ser …………………….. o bastante” (Coloque nesses pontilhados o que imaginar).
Tal dinâmica virou um condicionamento, que é como um hábito automático mental. Assim, acabamos perdendo tempo por ainda não sermos bons para iniciarmos algo ou experimentamos uma comparação absurda e devastadora.
Já tratei da origem da cultura, mas há três frutos que ainda multiplicam a cultura:
1- Vergonha: Tenho medo de ser exposto ao ridículo constantemente? Ou de aparecer devidamente?
2- Comparação: Há uma competição desumana sempre? Há um modo ideal de ser para todos nós?
3- Desmotivação: Não há motivo para agir por medo de correr riscos? É difícil compartilhar ideias? Há uma abertura para acolhida?
O remédio para sair desta lógica de “não ser bom o bastante” é olhar para si abraçando o suficiente em nossas vidas. Reitero o que disse antes: vulnerabilidade é enfrentar a incerteza, exposição e riscos emocionais. Aí sim, a vida em sociedade poderá ser diferente.
Por hoje isso é tudo.
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