Enfrentando a vida e normalizando o desconforto: passando este legado adiante.
Esta imagem nos remete ao filme A vida é bela. Neste longa, temos a vivência de uma família em plena segunda guerra mundial. A narrativa da obra é marcada pelo drama, mas também pelo bom humor, o otimismo, e sobretudo é marcada pela educação à vulnerabilidade, ao enfrentamento da vida. Isto é, a vida está aí para ser encarada. E assim, o pai, Guido, procura mostrar isso para seu filho Josué, com uma fortaleza incrível.
Estou certo de que a educação para os pequenos preconiza uma autoeducação de si mesmo. No fim, educando-se a si mesmo, você estará, por consequência, direta ou indireta, imediata ou remotamente, produzindo efeitos que serão colhidos nos filhos. Isso já não é um motivo incrível para querer a cada dia ser melhor?
Enquanto escrevo este post, dia 27 de março de 2024, ainda não sou pai (atualizando: já sou pai quando postei). A partir desta ressalva, sigamos com a nossa reflexão. E como vimos até agora, continuemos articulando as pontuações de Brown acrescentadas às minhas.
Os filhos vêm ao mundo e a lei natural nos impõe a necessidade de cuidá-los em todos os quesitos: física, moral, educacional e espiritualmente. Mas como vimos, a busca pelo perfeccionismo seria um grande mal. Exigir garantias seria algo nocivo. Embora haja meios gerais, dicas etc, não pretendo abordar desta forma hoje.
Brown pontua que:
“quem somos e a maneira como nos relacionamos com o mundo são indicadores muito mais seguros de como nossos filhos serão do que tudo o que sabemos sobre criar filhos”.
Isso reforça o que já disse sobre apostar em uma autoeducação robusta e continuada. Em nosso itinerário para sermos melhores, o fruto de todo esforço pode ser condensado e ser um legado para educar os filhos. Vejamos.
Pode ser que algumas coisas não estejam no controle dos pais, como o temperamento que o filho possui, a sociedade, suas influências, o pensamento da época etc. Mas devemos averiguar o que de fato está, e assim fazer uma verdadeira boa limonada disso. Sim. Principalmente a educação emocional de coping, de enfrentamento frente aos imperativos sociais de que sempre se espera, demasidamente e negativamente, das pessoas em nossa sociedade.
Mais uma vez vem ao encontro de nossos princípios a frase do senhor Joseph Chilton Pearce, um autor estadunidense:
“o que somos ensina mais a uma criança do que o que dizemos, portanto precisamos ser o que queremos que nossos filhos se tornem”.
Nada mais verdadeiro do que isso, não!? Pare aqui e releia a frase novamente. Olhe que ideal podemos extrair! Aqui a predominância do ser é o que reina sobre o ter, dar etc. Aqui as virtudes seriam expostas e aprendidas cada dia e sempre.
Voltemos para o nosso filme sugerido. O pai Guido é o intérprete da realidade para o seu filho Josué, para o qual transmite esperança, otimismo e fortaleza. Na verdade, tal como no filme, os pais precisam identificar o que já fizeram, onde estão atualmente e onde pretendem chegar.
Desta forma, os pais também fazem as suas próprias jornadas enquanto são educadores, enquanto que aquelas almas que lhe são confiadas crescem no corpo e também nas “qualidades” da alma, para assim enfrentar a vida tal como ela é, baseando e exercitando as virtudes. Os pais são constantemente chamados ao custoso aperfeiçoamento, para que sua vida seja uma unidade entre aquilo que praticam, dizem e ensinam.
Por outro lado, os filhos fazem um itinerário único e instranferível. Por isso a superproteção é muito nociva. Explico-me. Precisam suportar as circunstâncias da vida, travando suas próprias lutas e experimentando a adversidade. Só assim crescerão em virtudes autênticas. Quando isso acontece, os filhos realmente se fortalecem e são forjados. Ao lado dos amores paternos que são acompanhados pela ternura, firmeza e aceitação, crescem também na confiança, esperança e fortaleza.
Por hoje isso é tudo.
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