Equilíbrio entre excessos.
(Quando escrevi era) Recém-casado, arrumando as coisas e vivendo um novo em minha vida. Este é o momento atual. Mas escrever e publicar – produzir conteúdo – é para mim muito estimulante, por isso que não deixo de fazer. Na verdade, fazer as mesmas coisas, dentro de uma boa, honesta e contínua direção pode nos salvar. Isso me soou bem, posso escrever mais adiante.
Dentro de nosso tema, hoje trazemos o diálogo. Já tive a oportunidade de falar acerca dele antes, mas sempre que escrevemos algo novo sempre vem, se conseguimos colher aquilo que plantamos há um tempo atrás, seja há poucos dias, seja em um período remoto.
Veja, estou dialogando com você. Inicialmente, é uma atitude passiva a tua, mas, você também pode pensar a respeito, escrever sobre, “digerir” de alguma forma, conversar com alguém sobre suas experiêncais etc. Então, dialogar traz em si um caráter dinâmico que não podemos perder a oportunidade.
Há pessoas que são mais dadas a prosa, e é impressionante! Se um caminho leva 10 minutos, ou 10 horas, a pessoa consegue falar sempre contigo. Outras são mais dadas ao necessário (“necessário…somente o necessário” – não pude deixar passar, rs), isto é, tendem a um mutismo que pode ser bem desconfortável. Na verdade, como aprendemos com Aristóteles, a virtude é o meio termpo do excesso e a escassez. E aqui se encontra o diálogo, a boa conversa.
Aqui também poderíamos classificar isso que estamos falando na quantidade, mas também no modo. Não somente pelo excesso ou falta de palavras, mas também em um modo como se diz, a maneira: calmamente, firmemente (ou ditatorialmente), por exemplo. Também consideramos a escuta como elemente imprescindível para o bom diálogo, caso contrário seria um monólogo.
Sobre as condições e dificuldades, poderíamos remeter, antes de tudo a nós mesmos. Quando atendo uma pessoa no consultório, costumo dizer, mais ou menos assim:
“temos uma possibilidade aqui e uma limitação. A possibilidade está na minha frente, posso ajudá-la a ser (um pouco) diferente e melhor, mas não consigo mudar o seu entorno diretamente, seu cônjuge, seu chefe, enfim…”.
Então, partimos na trilha de um caminho que é realista, e nada menos do que isso, com esperanças, sem ilusões e imediatismo.
Assim, sendo este eu que se volta para o outro para dialogar pode ter as suas dificuldades. Apontemos e meditemos algumas delas.
O nosso temperamento. Sim. Se você tem um temperamento mais reservado, introvertido, pode cair na escassez de palavras e deixar alguém que gosta de conversar até mesmo irritado. Se você tem um temperamentos mais sociável, pode cair no excesso, e deixar de ouvir as pessoas, o que também seria desconfortável. Na verdade, de um lado ou de outro, haverá a necessidade do esforço, pois onde não há mortificações, não há virtudes, algum sábio disse.
O tempo. Seja escasso pelo muito fazer, seja pela negligência e falta de ordem, este ingrediente é indispensável. Para muitas pessoas, e eu sou uma delas, o tempo de qualidade é uma linguagem de amor. Então, na abundância de tempo ou falta dele, quando se quer a coisa acontece.
O “jeitão” do outro. Pode ser um fator impeditivo, mas não determinante. Um preconceito de minha parte, uma hesitação… um achar que o outro é assim, é assado, o se “assustar” com o outro. Isso tudo nos faz perder oportunidades de crescer com o que é diferente. Quando passei a entender isso, vi oportunidades e parei de me esquivar com excessiva frequência, mas sim enfrentar. Mas ainda estou no caminho, e o caminho nos fortalece.
Estes seriam alguns fatores que afetam negativamente o diálogo, necessário e vital. Quais serias as boas condições e qualidade de um diálogo? Já mencionamos em outras publicações, mas não me vejo repetitivo em dizer, porque a verdade é tão antiga, mas sempre nova.
Sem sermos exaustivos, poderíamos pensar no prelúdio (uma introdução): a iniciativa para com o outro. A seguir seria muito conveniente a delicadeza, o que pode vir a ser acompanhado com um ato espontâneo de partilha de vida, o que demanda muita sinceridade e coragem. É o que a Brené Brown, de uma forma ou de outra, chamou de vulnerabilidade.
Também podemos pensar, que o diálogo, frente ao modo como estamos falando, tem seus tipos, o necessário e aquele que é desinteressado. Um é conveniente para um fim direto, outro busca o bem do outro, um humor, um entretenimento. Parece um fim mais nobre, não?
Além do mais, a clareza no que se diz é um ingrediente fundamental. Lembra daquela máxima, o que digo, o quero dizer e o que o outro entende? Pois é, seria interessante tentar harmonizar o tanto quanto for possível estes itens.
A mansidão no dizer, a força da verdade, que se expressa, não como um terremoto, como uma erupção de um vulcão, um maremoto, seja o que for, mas naquela brisa mansa. Isso tem grande força de validação. É quando vemos que a inteligência governa a vontade, e esta governa todas as nossas emoções, instintos, e como gosto de dizer: nossas imaturidades.
O diálogo também pressupõe uma confiança que vai se formando. Confidência e amizade. Aqui as palavras ganham nova profundidade.
A virtude cardeal da prudência também marca presença, quando conseguimos reagir conforme a situação nos pede, assim conseguimos nos “sintonizar” com as pessoas também.
Termino com a frase de São Josemaria Escrivá, que é uma síntese do diálogo e do nosso caminho de aperfeiçoamento.
“O convívio é possível quando todos se empenham em corrigir as defiências próprias e procuram passar por alto – perdoar – as faltas dos outros”.
Amar assim e amadurecer assim parece exigente, e é mesmo. Mas não poderia deixar de oferecer algo que enobrece a sua alma humana, e que muitas pessoas já alcançaram antes.
Fico por aqui.
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